Evento reuniu especialistas, produtores e autoridades para discutir os gargalos que impedem a prosperidade regional e o impacto de políticas ambientais sobre a população local.
POR REDAÇÃO FEEDXINGU Altamira, PA — 08 de junho de 2026
Altamira foi palco, no último dia 6, do 1º Fórum da Transamazônica, um evento que se propôs a ser um divisor de águas na discussão sobre o futuro da região. Com o lema “Desenvolvimento, Dignidade e Soberania”, o encontro reuniu centenas de produtores rurais, lideranças indígenas e especialistas para debater como a Amazônia, apesar de sua riqueza natural e produtiva, permanece travada por burocracias e intervenções externas.
Amazônia: Rica ou Interditada?
O ex-ministro e escritor Aldo Rebelo, um dos principais palestrantes, foi enfático ao classificar a região não como pobre, mas como “interditada”. Rebelo argumentou que a Amazônia detém as maiores fronteiras agropecuárias e minerais do mundo, mas que esse potencial é sistematicamente sabotado. “A interdição da Amazônia é a interdição do Brasil”, afirmou, ao criticar a influência excessiva de ONGs internacionais na gestão de órgãos de controle e o consequente bloqueio de obras de infraestrutura fundamentais, como ferrovias e hidrovias.
O custo da segregação ambiental
A ex-deputada federal Silvia Waiãpi trouxe ao debate a perspectiva das populações locais, argumentando contra a segregação imposta por leis ambientais desproporcionais. Segundo a ativista, a reserva legal de 80% exigida na Amazônia, em comparação com os 20% do restante do país, penaliza o desenvolvimento regional e mantém o povo do Norte em situação de dependência, sem acesso ao saneamento básico ou a tecnologias essenciais. “Até quando protegeremos a árvore para que o nosso povo morra na miséria debaixo dela?”, questionou Waiãpi, defendendo que o povo amazônico tenha os mesmos direitos que os brasileiros de outras regiões.
Caminhos para a mudança
O cientista político Christian Lobauer e o procurador do estado do Rio Grande do Sul, Rodney Candeia, apontaram para a política como única saída institucional para o impasse. Lobauer ressaltou que o problema enfrentado pelo Brasil não é técnico ou ambiental, mas uma guerra política entre “dois Brasis”: um que busca o progresso através da ocupação produtiva e outro que insiste em manter a região como um santuário intocado, alheio às necessidades de seus 22 milhões de habitantes.
Candeia, por sua vez, apresentou um método prático de resistência para produtores rurais, baseado na “Técnica, Política, Instituições e Comunicação”. Para o procurador, a união organizada e a institucionalização da luta, por meio de sindicatos e associações, são as ferramentas necessárias para enfrentar as demarcações e ocupações que, segundo ele, muitas vezes carecem de base técnica e visam apenas o domínio territorial.
Legado do Fórum
O evento foi encerrado com o compromisso da criação da “Carta da Transamazônica”, um documento que compilará os pleitos e as diretrizes discutidas durante o fórum, visando apresentar as demandas por segurança jurídica e investimentos em infraestrutura aos níveis estadual e federal.
O 1º Fórum da Transamazônica consolidou o movimento “Direita Xingu” como uma voz ativa na articulação política regional, reforçando que, para o Altamirense e o povo da Transamazônica, o desenvolvimento econômico não é apenas uma meta política, mas uma necessidade urgente de dignidade humana.




















