Parlamentares e figuras influentes do Partido Democrata criticaram os pedidos de orações às vítimas do ataque a tiros em uma igreja e escola católica na quarta-feira (27), que culminou na morte de duas crianças em Minneapolis, no estado americano do Minnesota.
“Essas crianças provavelmente estavam rezando quando foram mortas a tiros em uma escola católica. Não nos deem seus pensamentos e orações de m*. [O presidente Donald] Trump se livrou do Escritório de Prevenção e Violência Armada. Trump destruiu os recursos que estavam disponíveis para manter nossas comunidades seguras”, escreveu o deputado democrata Maxwell Frost, da Flórida, nas redes sociais.
Além do deputado pela Flórida, a democrata Rosa DeLauro, de Connecticut, disse que “pensamentos e orações não são suficientes — o Congresso precisa agir para acabar com a violência armada”.
Jeff Timmer, ex-republicano crítico do partido, atacou o senador Lindsey Graham nas redes sociais depois que o parlamentar disse que estava orando pela comunidade de Minneapolis.
“As crianças estavam rezando quando morreram. Como isso aconteceu, seu covarde subserviente? Agora, vá se f*”, escreveu Timmer.
Jen Psaki, apresentadora da MSNBC e ex-porta-voz dos ex-presidentes democratas Barack Obama e Joe Biden, também criticou o pedido por orações pelas vítimas do atentado de ontem.
“A oração não é suficiente. Orações não acabam com tiroteios em escolas. Orações não fazem os pais se sentirem seguros mandando seus filhos para a escola. Orações não trazem essas crianças de volta. Chega de pensamentos e orações”, escreveu no X.
“Quando crianças estão sendo baleadas em seus bancos em uma missa em uma escola católica e seu plano contra o crime é colocar a Guarda Nacional em Washington, talvez você reconsidere sua estratégia”, disse ela em outro post, em referência à recente intervenção de segurança que a gestão Trump iniciou na capital americana.
As palavras de Psaki chegaram ao governo americano e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, retrucou a apresentadora, afirmando que suas palavras eram desrespeitosas com aqueles que acreditam no poder da oração.
Outro apresentador da MSNBC, Michael Steele, afirmou: “Pensamentos e orações, estou muito além desse absurdo. Essa mentira”.
Outra parlamentar democrata, a deputada Brittany Pettersen, do Colorado, afirmou que “pensamentos e orações não farão nada para consertar isso”.
“Como muitas mães, acabei de deixar meu filho, Davis, na escola para sua primeira semana completa de aula. Não consigo imaginar a dor dos pais que nunca mais verão seus filhos em casa. Nenhuma família deveria ter que suportar essa dor e nenhuma criança deveria ter que ir à escola se perguntando se é seguro. Estou cansado de ouvir que isso é normal — e você também deveria estar. Pensamentos e orações não vão resolver isso”, completou Pettersen.
Dana Bash, jornalista da CNN, exibiu um trecho dos comentários do prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, que afirmou que “não diga que isso é sobre ‘pensamentos e orações’ agora — essas crianças estavam literalmente rezando”.
Bash mostrou a declaração em conversa com a senadora Amy Klobuchar, democrata de Minnesota, que concordou com o prefeito: “Pensamentos e orações não foram suficientes aqui e agora, porque essas crianças estavam realmente rezando”.
E Bash acrescentou: “Ele está expressando algo que eu sei que vocês sentem e que a maioria das pessoas sente, que é uma combinação de tristeza, mas também de raiva pura, que faz com que se esqueçam de pensamentos e orações. Essas crianças estavam literalmente rezando quando foram assassinadas através de uma janela de igreja.”
As autoridades afirmaram que o ataque foi realizado por Robin Westman, de 23 anos, que nasceu com o nome Robert, mudou de nome em cartório em 2020 ao se identificar como mulher e se matou após atirar contra as crianças.
Autoridades como a secretária do Departamento de Segurança Nacional, Kristi Noem, e o diretor do FBI, Kash Patel, chamaram Westman de “monstro”.
Antes do tiroteio, Westman publicou um manifesto em uma série de vídeos no YouTube nos quais fez ameaças contra Trump, comentários antissemitas e avisou que planejava atacar uma escola católica. As filmagens foram retiradas do ar enquanto as imagens são usadas como parte da investigação federal.
De acordo com as autoridades de saúde de Minnesota, uma criança permanece em estado crítico e mais duas pessoas estão em situação grave após serem feridas no tiroteio.
Fonte: Gazeta