Já sede de diversos parques temáticos, os Emirados Árabes Unidos estão prestes a receber a “joia da coroa”: em maio, a Disney anunciou que no início da década de 2030 vai inaugurar a Disneylândia Abu Dhabi.
A gigante americana do entretenimento afirmou que o parque, que será construído na Ilha de Yas, será o mais avançado tecnologicamente da empresa.
Os Emirados Árabes já abrigam outros grandes parques temáticos, como o Ferrari World, o Warner Bros. World, o Yas Waterworld (com gigantescos toboáguas e piscinas) e o SeaWorld Yas Island Abu Dhabi.
“Não se trata de construir outro parque temático”, disse Saleh Mohamed al-Geziry, diretor-geral de turismo de Abu Dhabi, à emissora americana CNN. “Trata-se de definir Abu Dhabi como um destino global onde cultura, entretenimento e luxo se encontram.”
Já o CEO da Disney, Bob Iger, disse que o parque será “autenticamente Disney e distintamente emiradense”.
Disputar com Orlando o posto de capital mundial dos parques temáticos faz parte da busca por soft power (exercer influência por outros meios que não a força) dos Emirados Árabes, estratégia que tem como outro dos seus principais eixos os grandes investimentos em futebol, como os realizados no time inglês Manchester City.
“Os líderes dos Emirados Árabes enxergam a infraestrutura cultural não apenas como um impulsionador do turismo, mas como um pilar do soft power nacional. Sediar um parque da Disney envia uma mensagem clara: os Emirados Árabes são seguros, modernos e receptivos a famílias, confiáveis o suficiente para abrigar uma das instituições de entretenimento mais icônicas do mundo”, afirmou o especialista em política externa e pesquisador sobre Golfo Pérsico Amit Yarom, em artigo para o think tank americano Atlantic Council.
Yarom destacou que essa estratégia também está ligada a outra meta: a diversificação econômica. “Assim como a Arábia Saudita e o Catar, os Emirados Árabes enfrentam um futuro em que as receitas do petróleo, por si só, não serão mais suficientes para sustentar o crescimento nacional”, explicou.
Porém, assim como ocorre com os investimentos em futebol (o chamado sportswashing), o regime autoritário emiradense também busca com os parques temáticos desviar a atenção do mundo dos grandes problemas do país no que diz respeito aos direitos humanos.
No seu mais recente relatório sobre liberdade pelo mundo, a ONG americana Freedom House deu apenas nota 18 (de um máximo de 100) aos Emirados Árabes, pelas suas violações de direitos políticos e liberdades civis.
No documento, a ONG destacou um julgamento coletivo de 84 réus em 2024, no qual 43 pessoas foram condenadas à prisão perpétua e outras dez receberam penas de dez ou 15 anos de detenção, sob a acusação de terem formado e apoiado uma organização terrorista.
Entidades internacionais apontaram que se tratou de um julgamento de fachada para punir ativistas de direitos humanos e dissidentes políticos, críticos ao governo do país árabe.
“Grupos de direitos humanos identificaram graves violações do devido processo legal e dos direitos dos réus no julgamento altamente obscuro, bem como condições abusivas de detenção”, afirmou a Freedom House.
Outro caso do ano passado nos Emirados Árabes mencionado pela ONG foi o julgamento de 57 cidadãos de Bangladesh condenados a penas de dez anos até prisão perpétua por terem participado de um protesto não autorizado em Abu Dhabi contra o governo do seu país de origem.
Eles foram posteriormente perdoados e deportados em setembro. Haja Mickey e Pateta para esconder tanta repressão.
Fonte: Gazeta